REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA DE LETRAMENTOS EM DIFERENTES CONTEXTOS


REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA DE LETRAMENTOS EM DIFERENTES CONTEXTOS

 

Joas Moraes dos Santos1

Por muito tempo o conceito de letramento se estabeleceu firmado nas habilidades e competências de leitura e escrita para dirimir situacões de formalidade comunicacional, onde o indivíduo letrato estaria apto a responder à estímulos preditos em uma proposta formativa. Este conceito chega a se confudir com o conceito antigo de Alfabetismo, cunhado nos Estados Unidos da América – EUA, na década de 1930. O Exército norte-americano, durante a segunda guerra mundial, definiu como alfabetismo funcional a capacidade de entender instrucões escritas para realizacão de tarefas militares. A partir de então as práticas de leitura e de escrita passam a caracterizar os níveis de alfabetismo ou letramento, captaneados pelas práticas escolares e seus programas de alfabetizacão em massa. 

Por volta dos anos 1980, surgem os primeiros conceitos de letramento, mas ainda com  significados muito próximos, partindo da traducão da palavra literacy em ingles para o portugues, alfabetizacão, letramento, alfabetismo, mantendo uma abordagem cristalizada na ênfase escolar, acadêmica ou jornalística.

Contudo, segundo Rojane Rojo (2009: 98), a medida em que a interacão social se evidencia, surgem novas formas de percepcão de letramento calcados em perspectivas que transcendem a uma mera conceituacão dicionarista, passando a abordar uma perspectiva mais psicológica quanto as práticas sociais das mais diversas, identificadas a partir da família, Igreja, trabalho, escola, mídias e outros.

Como marco deste momento de disrupcão conceitual, temos a obra de Brian Street, datada de 1984, que apresenta os novos estudos em letramento, apresntado aqui no Brasil por Kleiman (1995). Nestes estudos Street apresenta duas possibilidades de ocorrências de letramento: a primeira, o enfoque autônomo, que, Segundo Street (2014: 5), este enfoque traz um letramento formal, técnico, fora do contexto social, privilegiando o pensamento racional individual; já o segundo, o enfoque ideológico, que considera as práticas culturais como o desenvolvimento intelectual, desenvolvimento social e econômico. O enfoque ideológico possibilita a ocorrência de variações de letramento ligadas a estruturas cultuais, com diferentes contextos  comunicacionais.

O conceito de letramento, a partir de então, passa a evoluir e surgem varias derivações, como letramentos, considerando a existência de letramento dominante e marginalizado, perpassando pelos letramentos locais ou vernaculares, que apesar de pouco investigados, apresentam as práticas não valorizadas, em contraponto ao letramento dominante escolar. É de suma importância que a Escola possibilite o diálogo multicutural, disponibilizando para dentro de seu espaço, não somente a cultura dominante, curricular, religiosa ou de mercado, mas propor também, as culturas populares locais, cultura de massa, expandindo assim a possibilidade de um multiletramento  em práticas diferenciadas, utilizando as coisas e as relacões de multicuturalidade, onde podemos considerer as práticas não escritas como ocorrências de múltimodalidade, outras linguagens não como ilustracão da escrita, mas como um objeto de práticas de letramentos.

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1.       C Ed O da GENESISTECH SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS LTDA, Professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão e aluno do Mestrado Profissional em Letras – 2019-2021- PPGLe/PROPGI/UEMASUL.

 

REFERÊNCIAS

 

ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São  Paulo: Parabola Editorial, 2009.

 

STREET, Brian. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação / Brian V. Street; traduacão Marcos Bagno. 1 Ed.  São  Paulo: Parabola Editorial, 2014.